Sobre museus

Na casa da minha vó paterna havia uma réplica dessa obra.

Ela me é tão familiar como os livros da infância. Me recordei do relógio de parede, artdeco, com um pêndulo longo.

Lembrei do som que marcava o compasso de uma vida que não existe mais.

Lembrei das vezes em que dormi lá e escutava o barulho do pêndulo. Da banheira de louça rosa. De como tudo parecia imenso.

Lembrei do espelho de moldura rococó que eu amava mas que foi dado a vizinha. Sempre fico triste quando lembro disso.

Gosto de me cercar de memórias na minha casa.

Um quadro desenhado por minha prima quando ainda era criança.

Um móvel feito pelas mãos do meu avô materno.

Diversos panos de prato, com linhas coloridas e grossas bordas por minha avó.

As lindas taças deixadas por minha tia.


Habito num museu de memórias. Elas ornam minhas paredes. Eu bebo água em seus cristais. Vivo cercada de lembranças dos meus.


Mas em mim, eles habitam. No meu coração ainda vivem as lembranças deles.


Quem é o museu: minha casa ou eu?

Comentários

  1. Oi Mari, que texto bonito! Cheguei aqui pelo blog da Luly e estou pensando aqui sobre o que você escreveu e sobre como é importante a gente poder olhar essas relíquias e ver nossa história e dos nossos através delas. Pra além das fotos nos celular, objetos, cartas, registros físicos que não serão deletados por engano ou por um erro da nuvem.
    Acho que tanto você, quanto sua casa são museus, diferentes acervos da sua história.

    Um abraço.

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