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| Créditos: https://goo.gl/images/Vc9diK |
Tudo na vida depende de contexto. No post A moça do Espelho eu mencionei que os padrões eram feitos para segregar, pois bem, este post é justamente sobre isso. Como estamos tratando de padrões que englobam estética e beleza, vou usar a arte com fio condutor desse raciocínio.
Não tenho a menor pretensão de ser acadêmica e esmiuçar tudo que envolve história da arte e filosofia. Esse blog é um compartilhamento do meu ponto de vista, apenas. Mas acredito que seja quase unânime a percepção que os padrões de beleza celebrados na arte tem um profundo respaldo no contexto histórico de cada época.
Para ficar mais palpável: na época em que a maior parte da população da Europa sofria com trabalhos exaustivos e pouca comida o belo era ser gordo. Por quê? Simples, para diferenciar ricos e pobres. Atualmente a arte não está limitada a quadros e esculturas. A arte tem muitas outras interfaces: pode estar no cinema, na TV, na música, nas revistas e passarela. Porém o mesmo ocorre até hoje. Na China, muitas mulheres que precisam trabalhar sob o sol usam máscaras para preservar a pele clara, mais uma vez por que a cor da pele clara é relacionada ao status social e riqueza. Gente rica não precisa trabalhar em céu aberto. Em outros lugares, mais pro lado de cá da linha do Equador, exibir o bronzeado de praia é o que demonstra que a pessoa tem uma boa posição social (uma vez que não precisa passar o dia todo trabalhando num escritório). Ou seja, contexto é tudo!
Tá e daí? Então, estava eu buscando imagens das lindíssimas gordas de Botero e leio o seguinte: blablabla (...) "Botero usava as formas gordas para representar a ganância do ser humano." Será?
A maior beleza da arte é que sempre é e será aberta, assim como a comunicação. Então, se na década de 50/60 quando ele começou seus trabalhos (se é que isso seja verdade) esse era o contexto, podemos e devemos aproveitar o momento histórico de quebra de padrões e RESIGNIFICAR as coisas.
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| Flamenco - Fernando Botero 1984 (Clique para ver a fonte dessa imagem) |
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| Torso - Fernando Botero 1988 (Cique para ver Fonte dessa imagem) |
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| Woman stapin her bra - F. Botero 1976 (Clique para ver a Fonte da imagem) |
Hoje, graças ao Feminismo e sua luta por igualdade, tema de um próximo post, os papéis de Homens e Mulheres estão passando por imensas e necessárias mudanças. Ainda estamos no início do processo mas não acredito em retrocesso. E junto com essas mudanças, preconceitos começam a ser discutidos e combatidos. Um deles, que agora ganhou nome, é a GORDOFOBIA.
Há quem diga que o mundo politicamento correto é "chato" e cheio de "mimimi". Interessante que esse tipo de discurso nunca saia da boca de quem sofre algum tipo de agressão, não é mesmo? Pois bem, o primeiro passo para romper com o preconceito é assumir que ele existe. Ainda há muito preconceito envolvendo o ser gordo. Participei há um tempo atrás de uma pesquisa sobre saúde. Para quem nunca participou de um grupo de pesquisa de Marketing, as coisas funcionam assim: um grupo de pessoas de determinado perfil (que pode ser definido por idade, gênero, classe social, educação etc) se junta para debater um assunto definido pelo mediador. Atras do espelho (como nos filmes policiais) há uma equipe que avalia as respostas para poder ter mais dados antes de lançar um novo produto ou serviço. Pois bem, o tema era saúde e éramos 8 pessoas entre 30 e 40 anos, quatro homens e quatro mulheres. Nesse grupo havia uma mulher que exalava amargura pelos poros. E, talvez porque eu seja sorridente, ou porque já estou no meu processo de me sentir muito bem comigo mesmo, essa mulher se sentiu muito incomodada comigo. A cada resposta que eu dava falando que estava saudável e feliz comigo mesma, ela começava a citar inúmeros casos de doença na família dela que sempre acometiam gordas aparentemente saudáveis. Chegou a um ponto que a própria mediadora soltou um "tá, mas isso é porque sua família tem tendência". Esse é uma exemplo quase corriqueiro de preconceito que é sadicamente maquiado como "cientifico". Digo com todas as letras que é maquiado porque já li inúmeros artigos científicos criticando a correlação indiscriminada e taxativa entre sobrepeso e ausência de saúde. Veja bem, em momento algum estou dizendo que a obesidade não pode causar problemas à saúde. Porém afirmar que todo e qualquer percentual de sobrepeso seja sinônimo de doença é ridículo e beira o charlatanismo. Entre o pode e vai há uma enorme diferença. Outro aspecto que ressalta se tratar de apenas uma visão mercadológica (vide a infinidades de produtos para emagrecimento, nem sempre saudáveis) é o fato de pessoas que beiram a anorexia são tidas como saudáveis. Sério?
Bom, mas como isso se relaciona com a arte? Muita coisa. Através da arte podemos resignificar o que é ser gordo. Podemos (e já estamos nesse caminho) desconstruir o padrão segregante atual e transformar num inclusivo. Podemos olhar para os corpos curvilíneos (tão cultuado pelos renascentistas) e reencontrar a beleza. Aceitar que há beleza no curvilíneo assim como no esguio. Rever as obras do passado com os olhos de hoje e abrir espaço para todos no que for feito daqui para frente. Isso é representatividade. Abrir espaço para belas mulheres gordas e felizes. Poder dizer com orgulho: sim, eu sou gorda. Tirar a carga pejorativa de uma palavra que apenas indica uma característica física como baixo ou alto.
Muito já está acontecendo nesse sentido. Temos modelos Plusize (tema de posts no futuro), dançarinas gordas arrasando nas mídias sociais, Miss Plusize, tem grife com roupas modernas e sensuais, tem gordas requebrando nos shows da Anita mundo afora e, passo a passo, homens e mulheres sentem-se bem e orgulhosos em seus corpos robustos.
Por isso vale falar gorda ao invés de gordinha. Venerar divas plusize e cantar Rap Toda Grandona. Representação é tudo! Em Agosto irei participar do BH+Estilo Plus e contarei tudo que vi e conheci!
Ciao.




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