Esse post trouxe um grande desafio: como resumir oito anos em algumas linhas?


Desafio dado, desafio aceito! Pois bem, já não sou a mesma. Passei por um Burnout, vivemos uma pandemia, minha mãe partiu desse plano, conheci a não monogamia política, me separei e, talvez o mais importante: eu me encontrei!

Falar de se encontrar é algo curioso por que pressupõe que estive perdida. E sim, acho que a medida em que vamos sumindo engolidos pela rotina, um pedaço importante de nós vai se perdendo. Perdi o sonho, o brilho nos olhos, a crença que algo sensacional me esperava na próxima esquina.

E foi tão aos poucos que por um tempo nem sabia mais quem eu era fora meu trabalho, minhas obrigações e as toneladas de expectativas (reais ou imaginárias) que moravam nas bordas da Mariana ideal.

Não sei se vocês, caros possíveis leitores, já passaram por essa experiência quase psicótica de tentar ser o que os outros esperam de você! Mas que outros? As vozes que começaram a povoar nossa mente, quando ainda criança percebemos o que era aprovado e o que era desaprovado em nós. A voz que ecoa das piadas ou comentários pontiagudos de algum parente num desses almoços inocentes em família. No olhar desviado de algum colega de escola. Estampado nas revistas de adolescentes (já escancarando minha geração) ou nas atuais redes sociais que mudam cada dia mais.

Pois é, um dia percebi que alguns anos da minha vida viraram apenas um borrão. Só conseguia lembrar dos momentos em que eu gastava até a última gosta de energia para ser funcional. Será que alguém na época percebi a farsa que eu estava ensenando?

Mas um dia a conta chega, e aí foi terapia e tentar finalmente romper todas as caixas que me prendiam. Doeu sentir o ar tocando minhas feridas expostas pela primeira vez. Senti sozinha sem minhas caixas.

Já estava órfã, bissexual, separada, sem casa, sem meus gatos e rompendo meus relacionamentos, que mesmo não monogâmicos, não faziam mais sentido (olha a tentativa de encaixotar de novo). Mas eu já tinha aprendido tanta coisa! Eu me permiti ser chata, vulnerável e abraçar meus silêncios.

Aprendi a beleza e importância de alimentar minha rede de amores: meus amigos!

Mais uns anos se passaram e aqui estou! Vivendo os desafios da perimenopausa, cheia de sonhos realizados e um primeiro livro!

Daqui pra frente vou falar um pouco de como nasceu meu primeiro filho: Algo Azul, publicado pelo selo Mona da Quimera Produções Literárias.

Benvindos e até breve!


Comentários

  1. Impressionante como, pensando em passagem do tempo, esses 8 anos pareceram curtos, mas pensando em passagem da vida, foram uma eternidade!
    Eu AMEI esse post não ter título porque, de verdade, acho que você resumiu tudo exatamente assim...

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Obrigada por visitar!